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quarta-feira, 22 de outubro de 2003

O DIA DA PARTIDA







O DIA DA PARTIDA






Que mais se pode intrometer?
Vasculhar, varrer o sangue, sução,
enxaguar a alma para não a perder
amargar até  à própria extinção…

Um dia de cada vez a falecer,
repetir o conhecido impossível…

Branqueando a existência
extinto a toda a hora
só tormento incessível

Que venha tumba em alçapão
profunda insipiência,
de bom grado desabrigo mundo fora.

Quem queres Deus na tua crucificação?

Fraco destino é deixar indo
mas porquê toda a vida morrer…
não chega o dia da partida?

Tristeza inútil tão vazia
de infeliz nunca sorrindo
quem está pronto a ceder sempre

Vem buscar rosto infindo
desmerecer partir morrendo
toda a partícula em sol poente,

Necessitado carrasco, atrás…
isento deste mundo, agenceio a paz;

Leva-me contigo rosto horrendo
é-me indiferente tua companhia
desde que morra e não sinta…