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domingo, 1 de julho de 2012

INTEMPORAL






INTEMPORAL



Cada várzea que se aparta de mim, sabe do fim que anda ao desalento num fôlego de ânimo impaciente, na espera congénita de Deus envolvendo a minha substância em áurea cadente fantasmagórica. Estou mais perto, daquilo que representa estar às portas do céu… na tentativa transversal que a intuição do nada passado em nada altera, e mesmo imaginando o que  me espera, não sinto falta do que haja, ou como muitos dizem ter receio da partida, perdida que é a visão na Terra e da vida por cá nunca mais  voltar… se aflija.

Daqui a uns milénios serei eterno, espalhando o alento nos becos e o odor das nuvens por cima da necrópole… falando de algo constituinte do oxigénio, ou de partículas da minha presença perdidas no tempo.
Nem Ele será sempre desconhecido mistério que ninguém esquece…
Nem além O viu ninguém nunca vivo, porque quer.
Mas recordado como lenda, vão contar que fui inventado por nunca ser falado; não deixar rasto como existência e andar como judas nas palavras dum livro, quando a revelação da escrita é do meu espírito.

Eu tento seguir a senda divina, não sou impostor.
É o que nos ensina a vida, e o amor.
Quando partir... terá que dar visibilidade da minha chegada, porque há muito não creio que Ele exista sobre a forma falsa dos homens.
E só escrevo o Seu nome com maiúsculas, em respeito às pessoas sérias e com postura, porque eu não acredito só porque dizem, ou afianço quando não digo… ajuízem ou se digam sinceras.

Deus queira que Deus exista como Deus todos os segundos… e seja Deus não só da Terra, mas de todos os mundos.
Se houver outras raças no Universo e o Deus for diferente do nosso… como explicarão os fariseus aqui tão perto, este mistério tão antagónico?
Que sejam simples e límpidos como a água, se não… há algo turvo e imperfeito.
Beber o logro da fonte envenenada e jorrar os bofes pela mão… Deus não queira!
Ainda que a minha vã cobiça de pensar ande hipnotizada, o meu coração que é de barro, pode-se quebrar; por vezes até de lata… tão fácil de levar.

Perdoem-me os da fé contida.
Mas pensar não é pecado.
É um acto livre espontaneamente exacto, é o expoente máximo da liberdade.
É ser criativo nesse acto sublime que é vida penetrante ser da humanidade, Criação, entes… gene pessoal humano, micro da nossa mente, íntimo sagrado não profano.

É tão bom ser, não são outros… seremos heróis ou loucos… mas somos.
Como deuses colhamos os louros.

Sentado também penso.
Como um Tirano da realeza, uso a caneta como ceptro e também sonho com a riqueza…
Meditando cogito cuidando que Deus é a minha alma de cara lavada, e Deus sou eu pensando.