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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002

SAUDADES DA MINHA VILA






Vila Nova de Foz Côa


 
SAUDADES DA MINHA VILA






Rodeavam sorrisos de lábios afilados descarnados, outros grossos de sangue encarnados como pétalas bordados viçosos, semeados abraços de contornos apertados juntos ao peito de ternos impulsos que um dia se haviam acabado… 

Substituindo o riso do povo, pela cascata de água em queda livre num mero ímpeto de saltar o morro, aquando da minha saída… não quero lembrar esse dia.

Beiços de sorrisos que eu recordo com saudades, onde não vejo em mais nenhum lado do planeta, misturados em flores agreste ou vales de amêndoa florida alva sem idades, da mulher de vestidos preto na originalidade da terra, ou o homem transmontano de varias classes que vem da serra…

Sorrisos que me vão na alma, como colheres de mel tonificando minha calma, no silêncio do meu sentir, que me dão vida para continuar minha caminhada e sorrir… sorrisos dos meus sentidos, da paixão gravados e impressos como cachos de uva tinta, substituindo o sangue… colheita da minha vida, quase extinta.

Não importa se as estações do ano mudam, se o século vira e se o milénio é outro, se dificuldades surgem, se a idade avança; em lugar algum se chega, sem conservar a vontade de viver.














quarta-feira, 23 de janeiro de 2002

DAR E RECEBER



/EM VILA NOVA DE FOZ CÔA/

 

DAR E RECEBER



 
Nunca na minha vida tive tantos amigos queridos de Trás-os-Montes, e vi tão colossal desejo de viver, partilhar o meu interior, bombear o meu coração, distribuir amor, dar e receber, extinto sofrer de quem sabe amar.

Quando sentimos na adolescência o despertar das atenções, que somos o amor centrado do sexo oposto contados pelos dedos da mão, que deixamos paixões por onde passamos, sentimos essas pessoas no coração. Embora sejam uma pequena vila no nosso mundo, elas são para sempre o infinito Universo de mim em tudo.

Temos o coração quente inundado de calor, derretemos nuvens com nossos passos caminhantes de amor, voamos como angelicais seres da paz, transmitimos deslumbrantes sabores do sentimento voraz; caminhamos espalhando abraços e beijos de chocolate quente, saboreados como cacau doce que nos vão pedindo, apenas com a carícia do olhar.

Somos abençoados, por termos a sorte de sermos amados apenas nas palavras e no contacto espiritualmente, onde nossos corpos se fundem na procura da eternidade em laços de amizade pura e áurea consistente, em sinal dos tempos que hão-de vir, não saber de tormentos, banir pensamentos… arrancar, permanecer entrelaçados viventes amantes de apaixonados paraísos - por saberem amar.












segunda-feira, 10 de dezembro de 2001

A MINHA ESTRELA DE NATAL




A MINHA ESTRELA DE NATAL


Encontro-me sentado na minha janela virada para a noite, e vejo num corredor negro apenas uma estrela. Esta é diferente de todas as estrelas que conheço, porque tem a forma do mundo desenhado num rosto que me apaixona. Seria a estrela dos Reis Magos, aquela que guiou a Humanidade ao nascimento de Jesus?

Estou obcecado pela sua luz e não consigo desviar o olhar do centro do seu coração; e se sair do eixo da sua rotação posso até nem morrer, mas fico noutra dimensão esquecido de viver.
Cheguei à conclusão, que esta estrela foi toda a vida por quem esperei como uma sina, a minha estrêla de Natal.
Ela apareceu do nada, do frio imenso do espaço, e sua fricção em contacto com os polos do amor, trouxe-me calor à minha existência com tão forte natureza, de tal ordem que aprecio mais a sua sorte que qualquer outro Universo.

Pensei que conseguia esquecer esta luz brilhante que me faz arrepiar de paixão, tentei até convencer-me ao engano, e herdei na loucura do desespero um amor ainda maior, por reconhecer que ele vai no caminho do infinito até ao epílogo da imortalidade.

Não há descrição como sinto tamanho afecto a esta estrela de rasto humano, de olhar quente e travesso, mas tão real como a beleza da mais bela criatura que o meu coração acolheu.
E se alguém pode amar assim uma estrela, nunca se sabe porque se ama desta feição, ou como nasce um grande amor num destino que não tem explicação.
Sei apenas que é uma estrela sozinha no seu mundo, e não há nenhuma que se lhe compare em tão belo colorido, vivendo a  jusante do paraíso, talvez por ser sempre Natal.
/E porque sem amor ninguém vive, aquele que é vivo sem amor, apenas imita a vida./

Daqui da minha janela virada para a tua noite, estrela, enlaço meus braços na luz do teu corpo, e sinto o calor que me guia ao caminho da tua consciência para vivermos juntos à eternidade, beijando teus olhos luzentes impregnados de carinho e acariciando teus cabelos alvos como uma ofuscante chama, entregando no teu seio minha alma para escolher o espirito da tua vida.

Aquela estrela é o brilho que me toca e aquece o coração, tem magia, desperta em mim uma atracção que hipnotiza todo o meu ser, e me dá a sensação de não estar mais sozinho no mundo.
Não sei se é por hoje se festejar  o nascimento de Jesus. 
A única certeza que eu tenho... é a minha adorada estrêla de Natal.