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quarta-feira, 17 de agosto de 2005

COMUNICAÇÃO








COMUNICAÇÃO





Olhares trocando olhares
com esgar de satisfação
olhos amigos tão escassos
levando arisco safanão…

Embarcam no silêncio dos espaços
entre azuis celestes dos mares.


Olhares que esvoaçam aos pares
que escondem tapume de segredos

Olhares trocados de enredos
invasores com ou sem sensação…

Olhos que dizem não aos olhares…
Olhares esquisitos que nos afligem…
Que nos dão calafrios na espinha.


Olhares que sorriem impróprios
superiores ao passar doutros olhos

Colados ao coração como resinas
observadores de toda a espécie
amantes da existência que passa.

Entrementes nos assaltam o coração
floridos, semi-breves, estremecidos,
olhos profundos que vêm da alma
alcançando nosso espelho da vida.







quinta-feira, 21 de julho de 2005

DESCOBERTA /TERRA SANTA/







DESCOBERTA
/TERRA SANTA/




Vislumbre global do contemplar
em horizontes de palma aberta…
Futuros amenos bruxuleantes do ondear
por ravinas d' Impérios despindo o caos...

Não são olhar vagueado
da montanha que cega…
  os dias vindouros
que não são exactos,
por silêncios de ouro
que vêm do nada…

O emudecimento do charco
cujas águas cristalinas
banham corpos enregelados
pelo bater dos braços.
E vem a febre das águas frígidas
gélidas, arrefecidas, frias! Frias!

Como faísca atroa
Resfolega como ó raio!

Fátuo passageiro, aziago,
que volve ateada nuvem…
Divina onda salgada!

Magia de círculos em ouro sonhando
por cima do ar serpenteando
ondeando como o cisne do lago…

Barco à vela que foste inventado!
Desce à terra do Atlântico!
Com enfeites e corpos em liberdade...
Olhem pró homem do mar!

Por entre vislumbres de seda
admiram a inútil avidez do cheiro
não vêem o lugar da natureza…
acabou a paz no Oriente pela guerra.
Do Ocidente da terra…

Arreia marinheiro!
Arreia!

Em linguagens diferentes
traduzidas pela língua em presentes
cobiça vã disfarçada em riquezas…
donde vem a grande Vela?

A nave balança no seu erguer
e o conquistador Cabral
sagra-se em tons dourados…

O pano arfando ao vento
majestosas Quinas de Portugal. 

Anuncia-se aos quatro ventos...
O fidalgo foi coroado!
Uma voz próxima do trono...
mais uma terra do reino Senhor!

Espicha o cintilar da luz enfeitada
refulgente asas perdidas pelo gládio…
depois vem a paz e a dança da música
por entre ramos de palmeira semi-escura

Olhares desconfiados...
indios nus...
temerosos passos…
desertos fugazes...
tranças pelos ares…

Vã cobiça d' oiro com chama luzente
todo enraizado de orgulho na mente
toda a paz de alma desaparece…

E grita-se tamanha vitória à espécie!

Por entre histórias de aventuras
sobressaindo o vermelho das dunas
logo baixa o nevoeiro fantasma
volteia a neblina que passa…

Deixa-me adorar
subir a escadaria do altar...
olha a alma do mar em oração!
Avé! Avé!
Ressurreição!

Descendo, vem algo do coração
estaca, enterra saudade...
  o Novo Mundo… sagacidade.
Teu pavor de partir marujo
  o eco de ti ao mar hisurto

Alerta!
Grita Nação!
Conquista!

Desfralda a bandeira
ao vento na tua fileira…


Portugal!
Avança!

Poente voz do sul
  canta, Terra Santa!

Terra de Vera Cruz.
Tua voz, coragem em chama.













terça-feira, 7 de junho de 2005

AFOGADO







AFOGADO





Fui encontrado dentro
dum cubo de gelo…
Os pêlos escorrendo
a cabeça, as mãos e o cabelo.

O cubo estava estalado
as mãos crispadas,
um olho era vidrado
e o gelo umas vidraças.

Só existia no cubo
duas mãos e o cabelo
e a cabeça no fundo,
o resto do corpo, nem vê-lo.

Como era possível
um corpo muito sensível…
Milhões de anos afogado
estar em bom estado?

A culpa era do gelo gelado
que tudo tinha conservado.
Na cabeça, cabelo, mãos e dedos
era um frasco, álcool e segredos.