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quinta-feira, 3 de maio de 2012

DESABAFO 1º - POLITIQUICES RASCAS








DESABAFO 1º

&


POLITIQUICES RASCAS
I




Pensando na elite - essa cambada à parte de outras classes… privilegiada num planeta às avessas de pernas p’ro ar, bajulando os populares com enredos e discursos de promessas vãs, cujo ofício é apenas palrar para espantar politiquices de outros espantalhos, cuspindo saliva para facções doutra área nas bancadas, originadas pela raiva e desprezo nas palavras, com a finalidade de atingir o poder nas conquistas de novos tachos.
Não sei porquê… veio-me logo à ideia os milagres dos Cristos do nosso tempo – os Políticos.



Em Lisboa, descaradamente em Assembleia lá dentro,
encontram-se tantos palhaços mentirosos com sorrisos.
Não é difícil acreditar, nestes aldrabões de S. Bento.
Acusam-se de mentir uns aos outros como políticos.





Naturalmente, governar é um acto tresloucado e irresponsável, porque todo o mundo passa mal… e não há ninguém que acabe com essa raça de parasitas em Portugal.
Estou a falar dos maus governantes, os sem escrúpulos, que prometem tudo nas campanhas eleitorais e depois…
Depois aqueles gajos viram o bico ao prego!

Não fazem nada do que anunciam e é mais um perdido século.
E nós arraia-miúda?
Como uns burros… pagamos os nossos impostos para eles não fazerem chavo e fumarem grandes charutos com bocas de chaminés e caras de sapo.
É pá! Que porra esta!
Isto é que vai uma crise!...

Chafurdamos na merda das palavras oportunistas, com a exclusividade de fortalecerem a facção partidária, metendo o povo num saco ditatorial... com leis à moda do patronato para não abrirem muito o bico.
Por isso, nós que estamos entalados como sardinhas em latas, os chamamos de políticos merdosos… uns cabrões mentirosos!
Mas não deixamos de estar sempre refundidos!






II



Políticos é isso mesmo… sentadinhos nas suas cadeiras a brincarem nos computas como miúdos viciados em jogos, gastando telefonemas ao estado à custa do orçamento… onde a arquitectura delineada marcou encontro com alguma amante do trabalho com o ar mais sério do mundo.
Depois é vê-los a coçarem o cú aborrecido de tanta hora sentados, sentindo a dita comichão provocada pelas hemorróidas… a rirem-se sem graça feitos pierrôs, fazendo que ouvem e não prestam patavina nenhuma, e o que fala da tribuna apregoa e desespera… de quem fala para o boneco… e não diz coisa com coisa, não se percebe o ladrar imitador do cão Pluto que é tão bruto e tão burro!

Tanta criança a morrer de fome pelo planeta afora!
Tanta miséria pelos Continentes de olhos sem chama, e estes fantoches usando as nossas vidas, riem-se uns dos outros, tornam o destino um circulo cómico porque não lhes falta nada.
Têm tudo.
Ao serem inconscientes fazem pouco do mundo!

E naquele “Circo” o que eles se divertem, um ou outro a dormir… porque aquilo dá mesmo sono – é aborrecido, que chatice!
A preguiça é tanta, que vai do Rossio pela Avenida ao abrir a boca até ao túnel do Marquês, sem preocupação de quem vê outras vezes, e muito menos sem vergonha.

E há sempre um olho duma voz popular que está atenta e diz:

Olhem para aquilo… está quase a bater com os cornos na mesa!
São noites perdidas sabe-se lá onde… com coisas do cabrão, e o país a ver esta merda pela televisão!
Se aquele coiro fosse meu marido, ia marrar num estábulo com a cornadura partida, que era para ele aprender a vir para casa a horas decentes!







III




Em tempo de eleições vale tudo para caçar o voto.
Oferecem o mundo e hipotecam a alma… um pouco parecido com o Natal – a pena dos pobres uma vez por ano existe,  e como um acto anormal passa a ser natural.
O que interessa a estes espíritos é a publicidade, promessas, mentiras e falsidades.
Como todo o mundo diz, o maior mentiroso na Terra é o político, e como toda a gente conhece o adjectivo, ele pode ser conjugado nos tempos todos do verbo como uma coisa da moda, elegante e normal.

Já se viu alguém enriquecer a trabalhar?
Está para nascer o primeiro presidente da câmara com azar.
O crime compensa!
Pequenino que rouba vai preso e é um malandro.
Ladrão que é grande, fica na condicional, depois é solto da sentença. Vai viver com o produto do engano o resto dos dias, e esse é o crime por roubar.

Está visto!
O mundo é da sacanagem política.
O povo é a isca…

Afinal, para que serve a politica?
Para os deputados ao fim de dois mandatos (10 anos) ficarem com uma pensão vitalícia… imaginem, perto de 5000 euros!
E os desgraçados do povo... aqueles meia-leca, rotos e famintos, aqueles homens que trabalharam uma vida inteira… com umas míseras centenas de euros de reforma?

Nós somos livres e não temos nada, a não ser o ar e a voz cansada.
Eles são democratas e têm tudo só por serem políticos.
E também porque se preocupam fingidamente com o mal alheio, verdade seja dito.






IV



Pessoalmente sou contra as greves, mas que formas de luta há?
Uma nova Revolução… mas desta vez com corpos marcados pelo genocídeo popular sequiosos de vingança?

Eu vivi a Revolução do 25 de Abril na carne com 17 anos e fiquei orgulhoso dos cravos em vez de sangue… mas sob a máscara da ditadura ou democracia acaba sempre para ir parar à mesma gamela.
Só os nomes é que mudam, e os homens que têm tudo são os que nós sabemos e deixamos andar. Somos um povo igualzinho aos burros, mas ainda mais burros que os próprios burros porque nem zurrar sabemos e é desses que eles gostam.

Com 17 anos de idade vividos em Trás-os-Montes, e lutando pela liberdade em comícios pela zona norte toda, a mais difícil e perigosa porque a minha bandeira era um foice pertencente à UEC., e participando nos piquets do 28 de Setembro toda a noite com uma fogueira, uns chouriços assados, umas metralhadoras e umas pistolas… estava preparado para defender o meu país do retorno do fascismo, fosse ele qual fosse.
Hoje, perguntaria – para quê?
Para solidificar uma democracia de compadrios… ?





Há tantos burros mandando 
em homens de inteligência
que às vezes fico pensando 
que a burrice é uma Ciência.

(Ruy Barbosa)

















domingo, 1 de abril de 2012

EXÉQUIAS DE MIM







EXÉQUIAS DE MIM






Por vezes apetece-me morrer no sentido figurado… ressuscitar… amar a vida e a morte. Se desconheço a mim próprio, talvez desaparecendo me sinta mais próximo daquilo que eu sou… e consiga desvendar a alma ao voltar de novo a esta vida.

Estou só, não faço falta a ninguém, a não ser nada a mim mesmo. 
Que ironia a minha desta outra volta, talvez seja mau para outros tentar vivendo nesta forma lenta de ir morrendo… sem choros nem risos de histórias.
É como se estivesse a ver o meu espírito antecipando a minha morte sem remorsos…
E depois, claro está, ressuscito!
... quando ninguém está à espera.

Antes... é o desencanto dos segredos, a pena disfarçada, o traje a rigor no caixão, as crónicas dos familiares e as larachas… o vão lamento de ter partido e o episódio final da cova. Depois, o alívio dos que me rodeiam, um ou outro suspiro, o retomar da vida.

A recordação dos que me amam fica gravada na lápide com votos de amor, a data da vinda e da saída… as folhas do Outono, os séculos esquecidos... se não houver obra nem forma de vida.




sexta-feira, 23 de março de 2012

GREGO DE MANHÃ CEDO







GREGO DE MANHÃ CEDO
/Oração à estupidez/







Somos do tamanho infinito invisível dos nossos mundos…

Como uma luz num precipício imenso, possuímos olhos profundos na dimensão que queremos, visitando lugares desconhecidos que foram inventados como impossíveis, os que sendo grandes sem alcance da mão humana - conquistamos.
Sonhamos desmedidamente sem instrução plena que nos pertencem amiúde nos profundos da consciência como bárbaros sequiosos pela fama.

Somos a extensão por onde começa e ilimitadamente nunca acaba onde interessa...
Os Universos da mente, portas que encerra, aquando da semente lançada ao despautério de um momento, pelas fraquezas da alma em prole da falsa modéstia.

...Que não há fim dos tempos que se avizinha… por não serem, existem.

Um rasto de meteorito como uma cauda de um cometa, fragmentos que provieram doutros detritos, deram origem a uma nova era dentre tantas eras que existiram... formaram biliões de astros e numa nova forma desceram à Terra, como inicio e fim da vida. 
Conhecida como única realidade daquilo que somos, por não sabermos a razão de habitarmos no imenso vazio que os nossos olhos alcançam até a um certo limite, e apenas sentir o desconhecido que nos motiva a origem das estrelas sem ninguém fixo, temos medo de ter medos que nos transformem de bestiais em bestas.

Porque andam soltos como hienas, adoramos o mistério da nossa ignorância, justificando a não-ciência, dizendo adeus à passagem dum cometa… resumindo tudo na palavra Deus.

Claro, acreditamos no medo. 
Nascemos como interrogação do desconhecido, e dizemos tudo isso porque somos obtusos, e sem explicação credível, alimentando os fantasmas do nosso alfabetismo medroso.
Não é estúpido esta conformidade do nosso raciocínio?
E tão conveniente a quem inventa todos os princípios mundanos?

Se algo existe, e toda a gente diz quem é, e nunca ninguém viu... falso, mantém-se verdadeiro, porque há necessidade de acreditar na impossível bondade, que faz viver a estupidez e todas as conclusões aflitas.

Outros ciclos antes deste, quando o homem era cabelo, tanga e uma moca para combater à paulada o afastamento da morte… um dia era um dia, o outro podia não ser, nunca se podia saber quando se estava vivo.
Também os arautos do Reino, histórias de Reis e princesas que viveram falsas vidas, e o povo lenda viva da verdadeira Divindade, sacrificado ao sangue nobre da riqueza e devassidão, querendo ficar como imortais à custa das almas perdidas no intercâmbio da Deidade em Satã.

Tudo foi sempre assim, o que fica em cima para domínio da sua conveniência, não sabe viver doutra forma que não seja sugar os princípios da decência, e estupidificar quem vive.
Os séculos avançam, mas os sapiens são sempre os mesmos. De anjos, transformam-se em feras... coabitando com os monstros de bata e cruzes de ouro, conspurcada com o sangue da humanidade.

Num qualquer ápice se encavalitam desalmados, num sopro invisível se esfumam depois de terem sido… houve tempos em que foram uma lenda e esquisitos.
Com a eternidade da fantasia, sem morfologias de espíritos reais, brincamos, sorrimos, choramos demais… e pequenino é outro mundo que havia.

Se apontamos aos filhos da noite ligeirices, e queremos os astros como berlindes... sem esquisitices, crescemos, e os sonhos em cavernas aparecem como cascatas incertas, onde vivem no escuro de cabeças no ar e pernas debaixo, cegando o olhar da alma sem entusiasmo, e conscientes da ilusão aos poucos porque somos adultos... chatos e brutos, tão loucos!

Partimos jovens, e não falo das partidas sem voltas.
Partimos no dia em que deixamos de achar, crescemos, somos homens e esquecemos de amar… achamos tudo tão grandemente exacto, que caímos no esgoto absurdo, os caminhos cheios de buracos, e o coração de pedra forrado a chumbo, náufrago de ondas com precipícios humanamente impossível dos sítios...

Somos meninos e imaginamos... inteligentes como donos do ser, para tornar a esperança de ambos na realidade deste outro fundo…
E não podemos crescer se queremos ser maturos, porque só podemos sonhar com outros mundos gigantes... quando somos miúdos.
Crescemos, e os sonhos dissolutos, aparecem como tormentos únicos, surgem tão estúpidos!
Porque somos crescidos, chatos e brutos!