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terça-feira, 7 de junho de 2005

AFOGADO







AFOGADO





Fui encontrado dentro
dum cubo de gelo…
Os pêlos escorrendo
a cabeça, as mãos e o cabelo.

O cubo estava estalado
as mãos crispadas,
um olho era vidrado
e o gelo umas vidraças.

Só existia no cubo
duas mãos e o cabelo
e a cabeça no fundo,
o resto do corpo, nem vê-lo.

Como era possível
um corpo muito sensível…
Milhões de anos afogado
estar em bom estado?

A culpa era do gelo gelado
que tudo tinha conservado.
Na cabeça, cabelo, mãos e dedos
era um frasco, álcool e segredos.







domingo, 15 de maio de 2005

O DUO VERÃO








O DUO VERÃO






Quando a noite de verão vem, é noite no céu e na Terra. Escuro nos dois lados, sai fictício das trevas… a outra parte para lá caminha por caminhos entrosados.
Por entre maravilhas, parece um quadro... nenhum pintor conseguiu ainda borrar, não se sabe de que lugares são, se têm lugar… reflectido na noite de luar, aquele igual ponto naquele mesmo brilho, sombra nas águas, espelho do mar.

Se no solo cor cinzento alguma estação poisa na cara do verão, há reflexos de sobreavisos corais de calor experimentando o gelado verão de cima… como montanhas russas se cruzam entrecruzados debaixo por cima. Não sendo dia nas noturnas manchas clarão, se querem mudar de verão.

É noite lá no alto parecido com o branco mais negro, ao mesmo tempo alvo denso, na imaginária troca de posição. Com asas de cometa rasgando céus por entre candeeiros de rua, se atraem pela luz ultravioleta. Como abelhas em volta do mel fazem capicua, tochas acesas por entre a sombra amarela… são dois verões cheios de vida, dois lugares extremos que existem de olhares estrelados. 

Qual dos dois o capricho… povoando o espaço de sois com mistura de olhos humanos combinados?
As cidades nos subúrbios com faróis, arredores que se transformam em corredores intemporais, uma Terra girando no ar entre os mais... e as estradas com extensões infindas de estrelas no vácuo a marear como chispas num lago universal dentro dum saco.
  














domingo, 3 de abril de 2005

ARCANJOS








ARCANJOS





Arcanjo, mensageiro celestial, luz divinal chama, um não sei quê de super-homem... um tal anjo não tem nada de lobisomem, não é mortal, nem mata quem ama.
O rufiar de suas asas batida, assoberba todo o templo da divindade, e se parece com som de vozeada população, sob forma humana parecida, um belo arremedo de humildade, inata sabedoria, livre de toda contaminação exímia.


Em vez de capa, uns poderes imortais, leme que o vento leva na asa, naturalizáveis e invisíveis em posições tais… desejo de cobrir com um manto o Universo da gente, protegendo o globo insano, trazer com voar guerreiro imponente, consumindo o mar em revoluções na areia do deserto quente, espalhar o sal transformado na fórmula fugaz à mesa das nações, apagar a guerra com a paz.


Tudo que vai para além da existência, por ser uma pedra ressequida, jamais receio algum pode causar emoções, será incessantemente louco não ter receio de assombrações… sempre um embate do “enter” voando com asas de vestimentas brancas arremessando fogo, com uma implacável espada, solta na impulsão da estocada.


Milagreira alva transparência, exangue cor sangue de coração, daqueles que dirigem o refúgio duma outra presença com a mão numa coroa e um ceptro, no juízo derradeiro duma imaculada “sui géneris” actuação, nos ensinam a ser criaturas como os anjos, tal e qual uma igual espécie de santos, intempérie camuflada de bonança, pretexto singular que não cansa…