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sexta-feira, 7 de março de 2008

PESADELO







PESADELO





Atingir o impensável cume…
a meta do reflexo instável

A acidez cada vez mais amável
a ficção de altitude

Inatingível uso da sensação
que se encontra no cimo
sei que é dele que preciso...
depois não sei qual a razão.

Subo por um fio, coisa finíssima
não compreendo esta subida…
medo do esgoto quebradiço

Agarro insistente tenaz
estou quase lá…
mas ainda não consigo.

Falta o espaço mínimo
e quando atinjo…
estou outra vez lá atrás…

Por entre devaneios sonho.
O chão que piso está solto.

Em queda pelo abismo
caio caindo num vazio…

E nunca mais acaba, sinto
aflito, contradigo pensamento
a visão geral do tormento

E sucessivamente transpiro
dum louco alívio…

Acordo, suspiro.














sábado, 9 de fevereiro de 2008

LANTERNA







LANTERNA



Fogacho relâmpago
escuridão no antro

Demanda interna
cabeça na caserna

Tropeço na pá…
Susto de camelo.

Quem vem lá!?

De novo silêncio.
















domingo, 6 de janeiro de 2008

CANÇÃO DA MORTE




Primevo era o início.
A seguir o princípio.
Depois solstício…
Por fim… reinício.




CANÇÃO DA MORTE



Todo de negro, o corpo a medo, assim funciona teso e hirto a carne de amarelo duro como vidro, qualquer cadáver de gelo.
O cheiro encoberto saído da morgue, o atingir básculo do perpétuo dos invernosos anais do século adubado com arte no sarcófago da morte, empalha como parelha da múmia resistindo à idade efémera mantendo pulcritude de alma pura.

Hiberna no frio do sonho, cochilando a contragosto, toscaneja dentro da fazenda o fato feito à medida do morto estampado como uma lenda, naquele jeito infernal sobreposto.

Dia de preto com luto de fascina, com nuvens de carvão por cima, espairecendo como bolas de algodão enroladas num palito ali à mão.
Lambida como fios de açúcar pelo tempo, anunciam o piar circundante do mocho no sítio do duodeno barulhento… a contrastar com o poisar do corvo na janela do vento à noitinha… com descida lenta de chuva miudinha.

Noutra banda deserta o cheiro putrefacto atrai o abutre negro limpando a terra da carne… execrável cadáver purulento larvado.
Ali em campo aberto de toda a parte como um beijo enojado, desperta de quem foi humanamente oxidado, restos rasgados de quem é inútil, agora forma de monstro fútil sem pele e ossos de quebranto no desterro.